Publicado em: 9 de julho de 2020

E aí, gente! Tudo certinho por aí?

 

Hoje a gente vai falar sobre a carta do leitor. Você pode pensar, mas por que aprender a fazer uma carta hoje em dia?

A verdade é que até hoje esse gênero ainda é muito utilizado. A diferença é que a gente não envia mais nada pelo correio. É e-mail ou mensagem nas redes sociais.

Só que a estrutura do texto, mesmo sendo enviado de outras formas, ainda é como o da carta e pode cair nos vestibulares que você for fazer, como o da Unioeste no Paraná.

Bora entender certinho como é a estrutura dessa carta?

 

Eu escrevendo minha carta o vestibular.

 

Pra quê serve a carta do Leitor? 

Dar a sua opinião sobre alguma matéria do jornal, revista ou site: 

Às vezes, quando a gente lê alguma matéria, seja um artigo de opinião de alguém, ou simplesmente um fato que aconteceu e o jornal noticiou, é possível que a gente queira fazer algum comentário sobre o que lemos.

Uma das formas de fazer esse comentário, é escrevendo um  carta do leitor pro veículo de comunicação que publicou aquela notícia: seja o jornal, revista ou site.

 

Pode ser argumentativa: 

E geralmente, o motivo pelo qual a gente escreve é porque queremos apoiar ou criticar alguma postura do jornal ou a opinião de alguém que escreveu ali. Nesse caso, a gente escreve uma carta argumentativa, ou seja, defendendo o nosso ponto de vista em relação àquele assunto.

Aqui, é bem importante que você traga argumentos, fundamentos, exemplos e o que for preciso para mostrar como sua crítica é válida.

 

É um espaço de expressão da sociedade: 

E o jornal ou revista libera esse espaço para os leitores, justamente para mostrar como a sua opinião faz parte do jornal. Seu texto pode ser selecionado e mostrado para os outros leitores que podem concordar contigo ou não. Isso é interessante porque, às vezes, os próprios leitores podem responder uns aos outros e aprofundar a discussão.

 

Características da Carta do Leitor:

Gênero Interlocutório:

O que diachos é um gênero interlocutório? É quando existe uma conversa, um diálogo entre alguém que envia a mensagem e outro que recebe. Simples, assim. Esse é o exemplo da carta do leitor, onde nós, emissores, vamos conversar com alguém que escreveu um texto, ou com o editor-chefe de um jornal ou revista.

Se no vestibular for pedido para você comentar a respeito do texto de algum articulista, ou seja, alguém que escreveu uma artigo de opinião no jornal ou na revista, você irá conversar diretamente com essa pessoa.

Já se você quiser conversar com o jornal ou revista como um todo, pode escrever diretamente para o “editor-chefe” que é quem representa aquele veículo.

No seu texto, é possível usar a 1º pessoa, dizendo “eu penso isso”, “eu já vi tal coisa acontecer”. E também, direcionar seu texto pessoalmente para alguém, usando a 2º pessoa do singular: “você”. Usando expressões como: “concordo quando você diz que…”, “sua posição em relação a esse tema não é coerente.”

Enfim, esse tom de conversa é a principal característica de uma carta.

Estrutura da Carta do Leitor:

Cabeçalho

Você escreve o cabeçalho para se situar no tempo e no espaço de onde está escrevendo, então, é só colocar a data e local. Como, por exemplo:

Cascavel, 07 de julho de 2020. 

É importante sempre usar essa estrutura e essa ordem. Pode ser colocado no canto superior direito ou esquerdo da página. Pule uma linha, e bora pro próximo ponto.

 

Vocativo

É uma menção, chamada, para quem você vai escrever a carta. Esse vocativo pode variar, pois depende do cargo que a pessoa ocupa, do seu grau de intimidade com ela e tudo mais. E esse vocativo também leva o nome e sobrenome da pessoa pra quem você escreve. Exemplo:

Prezado Editor-chefe, 

Caríssimo amigo, 

Vossa Santidade Papa Francisco,

O vocativo sempre termina com uma vírgula, beleza? Pule uma linha e bora pro próximo tópico.

Contexto

Aqui é onde você escreve o corpo da sua carta, sempre dividido em: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Não tem muito segredo aqui, não. Na introdução, você mostra qual é o propósito da sua carta, o que te motivou a escrevê-la. Depois vem o desenvolvimento, onde você mostra seus argumentos e aprofunda a sua opinião. E então, na conclusão, você pode retomar os pontos principais da sua carta e concluir o assunto.

Fecho

O fecho é a última parte da sua carta, uma despedida, que geralmente usa um advérbio. “Atenciosamente” é o mais comum. Mas, dependendo da sua intenção e do nível de importância da pessoa para quem você está escrevendo, pode usar também: “respeitosamente” ou até “carinhosamente” para os mais íntimos. 😉

Atenciosamente,

Um ponto bem importante é: NÃO assinar a sua carta no vestibular! A não ser que isso seja pedido de alguma forma. A carta termina com o vírgula, após o fecho. Beleza minha gente? Ah, e ele pode ficar centralizado na página, sempre pulando uma linha depois do fim do texto.

Bora ver um exemplo pra facilitar nossa vida?

Exemplo de Carta do Leitor

Cascavel, 07 de julho de 2020. 

Prezado Editor-chefe da Revista X,  

Já acompanho sua revista há um bom tempo e sou fã de muitos articulistas que escrevem nela. Mas, devo confessar que ando decepcionado com o direcionamento editorial que a revista vem tomando. É claro, sabemos que todo veículo de comunicação tem o direito de ter uma opinião. Porém, para mim que já sou um leitor antigo, essa opinião veio mudando drasticamente nos últimos tempos. Não é mais a revista que eu conheci no começo do nosso relacionamento. Portanto, temo que essa é uma carta de despedida. 

Gosto muito quando um veículo traz opiniões variadas a respeito de um tema para nos fazer refletir. Ou então, quando escolhe um lado da discussão e realmente se empenha em defendê-lo. O meu problema não é com ter um posicionamento. Nem com esse posicionamento ou com aquele. Meu problema, na verdade, é com quem não sabe o que quer defender. Ou até, não deixa isso claro para o seu leitor. Isso, na minha opinião, é uma ofensa mais grave do que defender qualquer ideia absurda. 

E este é o caso dessa revista em relação ao momento atual que estamos passando no Brasil. Em um primeiro momento, se viam opiniões variadas, discussões com pontos de vista diferentes e até opostos. Algo que sempre me agradou ao ler sua revista, editor. Mas, de algumas semanas pra cá, parece que um lado da discussão tem sido apagado. Que se quer colocar a luz sobre apenas um lado da sala. E o pior, isso está sendo feito de maneira discreta. Como se você tentasse ludibriar o leitor. Dando algumas migalhas de opiniões contrárias ao bolo recheado que você quer defender. 

Tudo bem mudar de opinião. Tudo bem querer defender um lado diferente. Mas, deixe isso claro. Conte pra gente porque você está mudando e porquê. Mas não me volte pra casa com esse perfume barato e mancha de batom no colarinho como se nada tivesse acontecido. Sente, me conte suas intenções e vemos se a relação persiste. E não digo isso para lhe ofender. Afinal, se tivesse tido a atitude que sugeri, eu, com muito respeito, eu poderia ter parado de ler sua revista ou aceitar esse novo posicionamento de braços abertos. Mas, agora, você traiu minha confiança. E a confiança, todo mundo sabe, se conquista. O problema não é você, sou eu. Melhor cada um seguir seu caminho. 

Atenciosamente, seu ex-leitor.  

(nesse caso, eu assinei, mas ainda de uma maneira anônima, sem meu nome, como “ex-leitor”. Como este é um texto livre, experimental, tudo bem. Mas, não arrisque isso no vestibular.)

Ajudou aí?

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